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Polinização

Um arbusto de mirtilo auto-polinizado é capaz de fecundar todas as suas flores, embora se considere que uma polinização de oitenta por cento garante uma colheita bem sucedida. São os insectos, especialmente alguns tipos de abelhas, que nos ajudam nesta tarefa. A sua presença no campo faz aumentar a percentagem de flores polinizadas. Só eles nos garantem o cruzamento de pólen entre cultivares.

O pólen do mirtilo está nas antenas que se encontram no interior da flor, é pegajoso e pesado, dificilmente será transportado pelo vento. A vibração causada pelos insectos que procuram o néctar liberta-o caindo sobre o seu corpo. Assim que visitar outras flores entra em contacto com o estigma que está ligeiramente saliente, é desta forma que se polinizam os mirtilos.

A abelha europeia (Apis mellifera) raramente entra neste processo. Algumas flores de mirtilo, especialmente as cultivares mais temporãs, brotam quando as temperaturas ainda estão baixas, numa altura em que as abelhas ainda estão refugiadas nas colmeias. Outra razão prende-se com o facto de não conseguir entrar na flor para recolher néctar, isto faz com que se desinteressem pelas flores de mirtilo.

Surpreendentemente é o abelhão (Bombus terrestris) com um porte muito superior à abelha melífera, que poliniza o mirtilo com sucesso. Este tipo de abelha tolera as baixas temperaturas do fim do Inverno, usa a sua língua comprida para transpor a pequena abertura da flor, desta forma transporta o pólen de flor em flor.

Apesar das plantas de mirtilo do nosso catálogo serem auto-polinizadas, convém que instale pelo menos duas cultivares diferentes no campo. Assim iremos promover a polinização cruzada, o que nos permite ter frutos que amadurecem mais cedo e são maiores.

Nunca se devem usar pesticidas durante a floração!

Abelha


Rega

Os arbustos de mirtilos têm raízes superficiais e requerem irrigação abundante e frequente, o aconselhado é um sistema de rega gota a gota. Apesar de necessitarem de bastante água, não gostam de ter “os pés molhados”, por isso é essencial um solo bem drenado. Se isto não se verificar devem ser plantados em camalhões. Este sistema vai ajudar a manter as raízes fora da água parada.

 

Fertilização

As plantas de mirtilo necessitam de muitos nutrientes para crescerem normalmente.

Estes estão classificados como macronutrientes e micronutientes. Os três macronutrientes principais são o azoto (N) o fósforo (P) e o potássio (K), são utilizados em quantidades maiores em relação a todos os outros. A sua adição ao solo é frequente, já que as plantas os usam para se alimentarem, se não forem repostos acabam por se esgotar.

O cálcio (Ca), o magnésio (Mg) e o enxofre (S), são os macronutrientes secundários, são usados em quantidades pequenas, no entanto pode ser necessária a sua aplicação em alguns solos. Estes nutrientes podem ser substituídos por alguns minerais tais como o calcário, o gesso, a dolomita, ou enxofre em pó. Uma única aplicação destes minerais geralmente é suficiente por vários anos.

Os micronutrientes são o boro (B), o manganês (Mn), o cobre (Cu), o zinco (Zn), o ferro (Fe), o molibdénio (Mo) e o cloro (Cl), estes são usados pelas plantas em pequenas quantidades. A maioria dos solos contém os micronutrientes em quantidades suficientes. Se houver necessidade são aplicados sob a forma de adubo foliar, e somente depois de ser verificada a sua carência através de observação de sintomas ou se detectado em análises às folhas ou tecidos. Os micronutrientes também podem ser adicionados na água da rega, a isto chama-se fertirrigação, no entanto as plantas de mirtilo respondem mais rapidamente às pulverizações foliares de micronutrientes.

As primeiras fertilizações são feitas sempre a partir da análise inicial ao solo, os nutrientes devem ser aplicados no final do Inverno. A aplicação de fertilizantes deve ser aumentada a cada ano que passa até que os arbustos sejam adultos, isto acontece no quinto ano. Devem ser feitas análises foliares regulares para aferir as carências ou excessos de nutrientes.

Os nutrientes devem ser aplicados com muito cuidado, o seu uso excessivo pode ser mais prejudicial para as plantas do que a sua falta!

Excesso de Fertilização

Excesso de fertilização

Sintomas de excesso de fertilização, as folhas apresentam queimaduras nos bordos laterais.

Esta prática continuada pode danificar irreversivelmente as plantas e comprometer toda a produção.

 

 

Poda

A poda é necessária para manter o vigor e a produtividade da planta de mirtilo. Serve para limpar e moldar as plantas, ajuda a manter o tamanho e a qualidade dos frutos.

Uma poda adequada equilibra a produção de novos ramos fortes, mantendo a produção de frutos bons. Quando as plantas são podadas com muita leviandade, tornam-se densas, com um crescimento fraco, não se desenvolvem novos lançamentos, comprometendo a produção de frutos no futuro. Poda severa leva à produção de menos frutos no ano seguinte, melhorando substancialmente a qualidade e a quantidade do fruto nos anos seguintes.

Devem ser cortados os ramos secos, danificados ou doentes. A árvore deve ser moldada em coroa de forma a abrir, só assim o sol chega a todos os ramos. Os rebentos que brotam directamente do solo também devem ser removidos, só deve deixar vingar o mais forte e vigoroso de forma a garantir a renovação do arbusto.

A melhor época para podar é de Dezembro a meados de Fevereiro, durante o período de dormência. No entanto os mirtilos podem ser podados em qualquer momento a partir do final da colheita até à rebentação dos botões na Primavera seguinte.

 

Controle de Infestantes

A gestão de ervas daninhas na plantação de mirtilos é importante por várias razões. Primeiro, estas ervas competem com as plantas por água, nutrientes e luz. Segundo, algumas podem servir como hospedeiros para insectos e doenças. Muitas ervas no pé do mirtilo podem criar condições de grande humidade, o que favorece o aparecimento de alguns fungos prejudiciais para as nossas plantas, neste caso deve ser aplicada casca de pinho tratada para evitar o nascimento de infestantes. As ervas daninhas também podem interferir com a irrigação e as operações de colheita. Podem ainda fornecer o habitat ideal para pragas de vertebrados, como o rato do campo que se pode alimentar da raiz do mirtilo. Finalmente, destas ervas daninhas que florescem ao mesmo tempo dos mirtilos, assim sendo, competem com eles pela polinização.

A estratégia de gestão mais importante é empregada antes do plantio, ou seja, eliminando todas as plantas daninhas perenes. Uma vez estabelecidas no campo, estas ervas são quase impossíveis de remover.

Os campos que foram pastagem requerem uma limpeza profunda antes de estabelecer a plantação de mirtilos.

O controlo destas ervas indesejadas deve começar no ano antes do plantio. Deve-se recorrer à aplicação de herbicidas sempre que necessário. O tipo de herbicida e a sua aplicação são dependentes das espécies de ervas daninhas presentes no campo. Deve recorrer sempre a um técnico especializado para recomendar e aplicar o herbicida adequado.

A erradicação de ervas daninhas deve ser visto como um esforço contínuo, nunca como uma tarefa sazonal. Os campos devem ser observados com frequência, assim observará o aparecimento de infestantes, quanto mais cedo as detectar mais fácil é a sua erradicação. Estas devem ser removidas antes que tenham oportunidade de se florescer.

Há agricultores que semeiam prado de sequeiro com trevo, azevém e festucas como forma de combater as infestantes, no entanto há sempre que ter cuidado com o excesso de ervas junto ao pé do mirtilo. Outra forma de combater as infestantes é a aplicação de tela de cobertura de solo.

 

Doenças e Ameaças

Os produtores de mirtilo devem observar as suas plantas com frequência, têm de saber identificar anomalias e sinais de alarme, estes podem ser resultado de doenças fúngicas, bacterianas e virais. Também podem resultar da acção de alguns insectos. Felizmente, em Portugal ainda há poucas ou nenhumas doenças que afectem o mirtilo, no entanto deve-se ter sempre em conta a origem das plantas a instalar no nosso pomar de forma a evitar que estas venham contaminadas ou sejam portadoras de doenças e pragas. Apenas de deve comprar árvores de mirtilo em viveiros certificados e que a origem das plantas seja fidedigna.

Os animais selvagens também são uma ameaça para o pomar de mirtilos, sempre que seja possível devem ser controlados ou afastados da plantação.

De todos os animais selvagens que os produtores de mirtilo têm de enfrentar, os pássaros são os mais importantes. As aves são responsáveis por perdas até cerca de 10 por cento de uma cultura de mirtilo. As principais espécies que causam perdas são o melro-preto (Turdus merula) e o gaio-comum (Garrulus glandarius). A única forma eficaz de combater as aves é cobrir a plantação com uma rede anti-pássaros.

Melro

Os roedores são uma outra fonte de preocupação, lebres, coelhos e ratos pode causar sérios danos às plantas. Os ratos fazem os seus ninhos na trufa e alimentam-se das raízes. Os coelhos e as lebres são um problema particularmente grave, roem a casca, os ramos baixos e os botões, isto danifica por vezes de forma irreversível as plantas. Para os manter afastados a plantação deve ser cercada com rede, os ratos podem ser controlados com isco ou armadilhas.